Na luta para escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Internacional recebe o Botafogo neste sábado, reencontrando em sua área técnica um dos nomes mais marcantes de sua história recente. Atualmente no comando do clube carioca, Tite esteve à frente do Colorado entre 2008 e 2009, período em que faturou a Copa Sul-Americana. No entanto, a chegada do treinador ao Beira-Rio há quase duas dezoito anos não foi simples e exigiu superação de barreiras políticas e desconfiança da própria diretoria.
A busca por um substituto e a resistência a Nelsinho Baptista
A necessidade de um novo técnico surgiu em 2008, quando Abel Braga deixou o cargo após receber uma proposta do Al-Jazira, dos Emirados Árabes Unidos. Inicialmente, o então presidente Vitorio Piffero contatou Nelsinho Baptista, mas a negociação não avançou devido à rejeição de parte da torcida, que ainda guardava ressalvas pela saída do profissional em 1996 para treinar o Corinthians.
O veto ao nome de Tite por passado no Grêmio
Nos bastidores, o cenário também era de divisão. Giovanni Luigi, então vice de futebol, defendia a contratação de Tite, contando com o apoio influente do ex-presidente Fernando Carvalho. Piffero, por sua vez, demonstrou forte resistência devido ao histórico do treinador no Grêmio, onde havia conquistado a Copa do Brasil de 2001.
– O Tite tinha vários bons trabalhos. Nós o acompanhávamos. Quando houve a saída do Abel, ele era o meu nome preferido. Tinha uma pequena rejeição de algumas pessoas, mas o Tite sempre foi um grande profissional – declarou Giovanni Luigi.
Com o time na zona de rebaixamento, ocupando a 17ª colocação após cinco rodadas, a pressão forçou uma reunião decisiva. Tite convenceu a cúpula colorada sobre sua capacidade de liderar a retomada, o que fez Piffero ceder e viabilizar também o retorno de Fernando Carvalho como assessor de futebol.
– Estávamos em um momento ruim. Eu tinha uma boa relação com o Tite. Achei que ele seria um grande nome. Havia a restrição, a vinculação ao Grêmio, mas isso não existe. Me convidaram para participar da reunião e surgiu a ideia de voltar para ser o assessor do Giovanni – relembrou Fernando Carvalho.
Estreia vitoriosa e a conquista continental
A estreia de Tite aconteceu justamente contra o Botafogo, resultando em um triunfo por 2 a 1 no Beira-Rio. O dia, contudo, também ficou marcado pela transferência de Fernandão para o futebol catariano. Sem o camisa 9, o treinador recebeu reforços como D’Alessandro e estruturou uma equipe sólida baseada em um quarteto defensivo e na velocidade de jogadores como Taison e Nilmar.
O desempenho sólido convenceu a diretoria, culminando no título da Copa Sul-Americana e, no ano seguinte, na conquista do Campeonato Gaúcho com uma goleada expressiva sobre o Caxias.
– Foi um dos melhores times que tivemos. Bolívar foi para a lateral direita e o Marcão para a esquerda. Jogávamos com quatro zagueiros e tínhamos a velocidade do Taison. A construção foi mérito do Tite. Fomos muito felizes – vibrou Giovanni Luigi.
Tentativas de retorno e novo reencontro
Após deixar o clube gaúcho, Tite acumulou passagens vitoriosas pelo Corinthians e pela Seleção Brasileira. Anos mais tarde, o próprio Vitorio Piffero tentou repatriá-lo durante sua gestão entre 2015 e 2016, mas o treinador optou por retornar ao clube paulista. No final do ano passado, o nome do técnico voltou a ser ventilado no Beira-Rio, mas sem sucesso nas tratativas.
Neste sábado, dezoito anos após iniciar sua trajetória no Colorado enfrentando o mesmo adversário, Tite retorna ao Beira-Rio em lados opostos, enquanto o time gaúcho busca os três pontos para se afastar definitivamente do risco de rebaixamento na Série A.

